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(Paperback)

     


SISSON, Marina Villares Lenz Cesar. [In Portuguese] A Esfinge Helena Blavatsky. (The Sphinx Helena Blavatsky). Edited by the author, Brasília (Brazil), 2003. 307 pp.

            Information: The book is composed in 19 chapters. The chapters nº 12, 13 and 14 (pp. 177-218), have a biographical and interpretative character about the difficult but very interesting relations of Dr Anna Kingsford with Madame Helena Blavatsky and the Theosophical Society, founded by the later. This book, in Portuguese, can be found to buy at “Livraria Cultura”:

           

Read below [in Portuguese] the title pages, the index of the chapters, and the Introduction:


A Esfinge Helena Blavatsky

Escrito e editado por Marina Cesar Sisson 

Dedicatória

A John King, “mensageiro e servo – nunca igualado – dos Adeptos vivos”,
e a todos os demais companheiros, visíveis e invisíveis, que compartilharam
com Helena Blavatsky a cruz e a glória daquela existência.
 

ÍNDICE 

Capítulo 1: Introdução 

Capítulo 2: Da Infância ao Casamento com Nikifor Blavatsky (1831-1849)

A “História Oficial” do Casamento com Nikifor V. Blavatsky
Príncipe Galitzin e a Fuga de Casa
A Escolha de Nikifor
Cortina de Fumaça Sobre o Casamento
Pequena Biografia de Nikifor V. Blavatsky 

Capítulo 3: HPB com seu Filho Yury (1858 a 1867)

Não Posso Contar a Verdade Sobre Yury

Atestados Médicos: Provas que HPB Não Era a Mãe?

Agardi Metrovitch: Pai de Yury?

Nathalie Blavatsky: Mãe de Yury?

Barão Meyendorff: Pai de Yury?

Rougodevo: Fenômenos e Doença Misteriosa (1859)

No Cáucaso, com Nikifor e Yury (1860-62)

Desenvolvimento de Poderes Psíquicos (1865)

Viajando nos Cárpatos (1867)

Morte de Yury (1867)

Até o Final Persistem Suspeitas sobre Yury (1890)

 Capítulo 4: As Viagens de HPB ao Tibet

Tentativas de Entrar no Tibet

Na Casa do Mestre KH e o Aprendizado de Inglês

Fundação da “Société Spirite” no Cairo

Morte de Agardi Metrovitch

 Capítulo 5: Encontro com Olcott (outubro de 1874)

Katie King: um Espírito Desencarnado ou a Sra. White? (dezembro de 1874)

Comitê de Investigação dos Fenômenos (janeiro de 1875)

Casamento com Michael Betanelly (abril de 1875)

 Capítulo 6: John King: Um Pedaço Não Digerido da Literatura Teosófica

John King: Ele é Meu Único Amigo

“Mensageiro e Servo – Nunca Igualado – dos Adeptos Vivos”

John King e a Fraternidade de Luxor (maio de 1875)

John King como Advogado de HPB (abril de 1875)

John King em Filadélfia

O Clube de Milagres

John King – Um Iniciado

O Anel Duplicado Fenomenicamente por HPB em 1876

O Auto-retrato de John King (março de 1875)

John King Cura a Perna de HPB (abril de 1875)

Não é Mediunidade: É de Uma Ordem Totalmente Superior

John King – o “Sahib” de HPB

John King Salvou Minha Vida por Três Vezes

No Cairo com o Mago Copta

Albert Rawson, Companheiro das Primeiras Viagens de HPB

Paulos Metamon

Viagens ao Peru (década de 1850)

Identificação de John King (1884)

Mestre Hillarion e Paulos Metamon com HPB no Cairo (1872)

Mabel Collins e o Mestre Hillarion (1878)

Nossos Modos de Ação são Estranhos e Não Usuais

 Capítulo 7: Os Primeiros Anos da Sociedade Teosófica (1875 a 1878)

Charles Sotheran

William Quan Judge

Primeiro Encontro de HPB e Judge (março de 1875)

Um Viajante Americano (1877)

A Ordem Sat Bhai

A Circular de Nova Iorque (abril de 1878)

 Capítulo 8: Convivendo com HPB na Lamaseria (1876-1878)

Hábitos Alimentares

O Fumo

HPB das 40 Línguas

A Personalidade Explosiva

O “Melhor Disponível”

A Mente de HPB

A Explicação dos Mestres

 Capítulo 9: A Aliança da Sociedade Teosófica com a Arya Samaj

Swami Dayanand Saraswati

A União com a Arya Samaj (fevereiro/maio de 1878)

Swami Dayanand como Instrutor dos Membros Ocidentais

Dois Krishnavarmas? (1878)

HPB e Olcott Chegam na Índia (fevereiro de 1879)

Damodar K. Mavalankar (julho de 1879)

“Tente Novamente” Sempre Deveria Ser Nosso Lema

Onde Estão os Adeptos? (agosto de 1879)

Viagem para Allahabad (dezembro de 1879)

Encontro com Mâji em Benares (dezembro de 1879)

Somente Nela Devo Colocar Minha Plena Confiança

Mais Fenômenos (dezembro de 1879)

Pensamos que Era “o Sahib” (março de 1880)

 Capítulo 10: O Casal Coulomb Chega em Bombay (março de 1880)

Sumangala e os Budistas do Ceilão (1880)

HPB e Olcott São Formalmente Reconhecidos Como Budistas

Damodar Visita a Casa do Mestre M. no Ceilão (maio de 1880)

Briga Entre Rosa Bates e Emma Coulomb (julho de 1880)

Desentendimentos com Swami Dayanand (agosto de 1880)

Fraternidade com Proeminência, Ocultismo em Segundo Plano (fev. de 1881)

A Família Rompe com Damodar (1881)

Viagem Astral de Damodar à Casa do Mestre KH (1881)

O Mundo Oculto (junho de 1881)

 Capítulo 11: Swami Subba Row

Primeiro Encontro de HPB com Subba Row (abril de 1882)

Adyar: Os Jardins de Huddlestone (maio de 1882)

O Ocultismo Exige Tudo ou Nada

HPB Encontra o Mestre M. no Sikkim (setembro de 1882)

O Santuário

Olcott Encontra com Mestre KH em Lahore (novembro de 1883)

 Capítulo 12: Anna Kingsford

Edward Maitland: seu Grande Colaborador (1874)

As Iluminações de Anna Kingsford (1874-1888)

A Doutrina da Reencarnação (julho de 1881)

Anna Kingsford Presidente da Loja de Londres (janeiro de 1883)

A “Divina Anna”

Sinnett e a Autoridade do “Budismo Esotérico” (julho de 1883)

O Protesto de Anna Kingsford e a Eclosão da Crise (outubro de 1883)

 Capítulo 13: O Caso Kiddle (setembro de 1883)

O Texto de Kiddle e o da Carta do Mestre KH

A Explicação do Mestre KH

A Precipitação ou “Telégrafo” Mental

O Texto Original da Carta

 Capítulo 14. Carta do Mestre KH para a Loja de Londres

A Discórdia é a Harmonia do Universo

O Chohan Quer Anna Kingsford Dentro da ST (fevereiro de 1884)

Armadilhas em Adyar (fevereiro/maio de 1884)

A Distância Aumenta Minha Beleza (março de 1884)

HPB Chega Inesperadamente a Londres (abril de 1884)

A Sociedade Hermética (abril de 1884)

 Capítulo 15: A SPR Examina Olcott (maio de 1884)

A Renúncia de C.C. Massey (julho de 1884)

A Carta Britânica

O Círculo Interno da Loja de Londres (abril de 1884)

Os Retratos dos Mestres (junho/julho de 1884)

HPB em Cambridge (agosto de 1884)

O “Colapso de Koot Hoomi” (setembro de 1884)

Os Comentários de HPB sobre as Cartas Publicadas

Lane-Fox e a SPR (setembro/outubro de 1884)

O Memorando Stack (outubro de 1884)

Relatório Preliminar da SPR (dezembro de 1884)

 Capítulo 16: Volta para Adyar (novembro de 1884)

Em Questões Ocultas, Ouvir É Obedecer

C.W. Leadbeater Encontra-se com HPB no Cairo

Método Drástico e Desagradável, Mas Muito Eficaz

HPB É Impedida de Processar os Coulombs (dezembro de 1884)

Richard Hodgson em Adyar

Desaparecimento do Santuário

 Capítulo 17: Mestre M. Arrebata HPB das Garras da Morte

Hodgson e a Teoria da Espiã Russa (março de 1885)

O Senso da Suprema Obrigação de Cumprir com o Meu Dever

Eu Não Seria Deixado Sozinho

Damodar Parte de Adyar (fevereiro de 1885)

Hume Tenta “Salvar” a Sociedade (fevereiro de 1885)

HPB Deixa a Índia para Não Mais Voltar (março de 1885)

É Necessário uma Natureza Justa para Ficar do Lado da Minoria

A Tentativa de Abrir os Olhos do Mundo Cego Quase Falhou

Na Verdade, Nossos Meios Não São os Seus Meios

 Capítulo 18: HPB na Europa (abril de 1885)

Constance Wachtmeister (outubro de 1885)

Mary Gebhard

Krishnaswami, ou Babajee, ou Darbhagiri Nath

O Relatório Final da SPR

O Pequeno Homem Falhou

 Capítulo 19: A Doutrina Secreta e os Keightley (março de 1887)

Blavatsky Lodge (maio de 1887)

A Doutrina Secreta e Subba Row

Lansdowne Road (agosto de 1887)

Lucifer (setembro de 1887)

Annie Wood Besant

George R.S. Mead (agosto de 1889)

 Bibliografia


 CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO 

A Esfinge Helena Blavatsky é um livro que foi escrito com o objetivo de auxiliar a desvendar um pouco do mistério que foi, e sempre será, Helena Petrovna Blavatsky (HPB). A vida de HPB foi algo tão extraordinário quanto enigmático. HPB sempre foi uma esfinge, mesmo para aqueles que com ela conviveram.
           De setembro de 1999 até maio de 2002 foram editados vinte números do boletim “Informativo HPB”, um veículo criado para a divulgação de pesquisas sobre a vida de Helena Blavatsky. Esse material constitui a base do presente livro, que reúne e complementa as informações contidas naqueles boletins. Não obstante, essas pesquisas continuam com o objetivo de gerar uma biografia completa no futuro.
           No início de 2003, esse material também serviu como subsídio histórico para José Rubens Siqueira, autor do texto da peça “O Enigma Blavatsky”, dirigida por Iacov Hillel e com Eliana Guttman como Helena Blavatsky.
           Surgiu então a idéia de apresentar ao público esse livro, para oferecer mais informações, e também novas luzes, àqueles que quiserem aprofundar conhecimentos sobre os enigmas da vida de Helena Blavatsky.
           É certo que as personalidades devem estar em segundo plano em face das realizações. No caso de HPB, contudo, é importante entender melhor sua vida e alguns aspectos marcantes de sua personalidade porque são justamente esses que tornam mais difícil a compreensão da esfinge Helena Blavatsky.
          HPB sempre fez questão de manter alguns fatos de sua vida em segredo e de, deliberadamente, produzir incoerências e confusões acerca dos mesmos. A existência desses acontecimentos complexos têm dado origem, basicamente, a dois tipos de obras biográficas: – aquelas de seus defensores, que apenas escondem ou mencionam superficialmente os fatos polêmicos e mal compreendidos de sua vida; ou então, – aquelas biografias que a difamam e que a condenam por esses aspectos, não raro aumentados e distorcidos, chamando-a por exemplo, como fez o relatório da Sociedade de Pesquisas Psíquicas (SPR) da Inglaterra, em 1885, de “uma das mais perfeitas, engenhosas e interessantes impostoras na história.” (Ransom, 214)
          O conhecimento e compreensão desses aspectos e acontecimentos polêmicos da vida de Madame Blavatsky é que podem nos permitir vê-la como o ser humano que foi, e não como um mito do qual são suprimidos todos os defeitos e aspectos que poderiam nos escandalizar. Ao mesmo tempo, essa compreensão nos permite não deixar de reconhecer a grandeza e importância de sua vida, e de dar o devido mérito que sua imensa obra merece. Assim sendo, é sob um enfoque menos parcial – não endeusando, nem condenando – que esse estudo procura examinar muitos fatos de sua vida. O leitor julgará até que ponto isso foi alcançado.
           Henry Steel Olcott, seu companheiro de tantos anos e co-fundador da Sociedade Teosófica, escreveu sobre essa complexidade de HPB, que tantos procuram ocultar e outros tantos condenar: 

“Onde houve um ser humano com uma tal mescla como essa misteriosa, essa fascinante, essa portadora da luz que é HPB? Onde podemos encontrar uma personalidade tão marcante e tão dramática; alguém que tão claramente apresentava em seus lados opostos o divino e o humano? O Carma me proíbe que eu lhe faça a mínima injustiça, mas se alguma vez na História existiu uma pessoa que foi um maior conglomerado de bem e de mal, luz e sombra, sabedoria e indiscrição, percepção espiritual e falta de bom senso, eu não posso me lembrar do nome, nem das circunstâncias ou da época. Tê-la conhecido foi uma educação muito ampla, ter trabalhado com ela e gozado de sua intimidade, uma experiência do tipo mais precioso. Ela era uma ocultista demasiado grande para medirmos sua estatura moral. Ela nos compelia a amá-la, por mais que conhecêssemos suas faltas; a perdoá-la, por mais que ela pudesse ter quebrado suas promessas e destruído nossa crença inicial em sua infabilidade. E o segredo desse poderoso encantamento eram seus inegáveis poderes espirituais, sua evidente devoção aos Mestres, a quem ela descrevia como personagens quase supranaturais, e seu zelo pela elevação espiritual da humanidade, por meio do poder da Sabedoria Oriental. Será que veremos alguém como ela novamente? Será que em nosso tempo, a veremos novamente sob algum outro disfarce? O tempo nos dirá.” (ODL I, x) 

Poucos anos após a morte de HPB a mistificação e “endeusamento” de sua imagem já estava presente no movimento teosófico em geral. Olcott, no prefácio de seu livro Old Diary Leaves (ODL), conta como recebeu ameaças e censuras por relatar facetas não muito elogiosas de Madame Blavatsky: 

“O principal impulso para preparar esses artigos foi um desejo de combater uma crescente tendência dentro da Sociedade [Teosófica] de endeusar Madame Blavatsky e de dar as suas produções literárias mais comuns um caráter quase inspiracional. Suas evidentes faltas estavam sendo cegamente ignoradas, e a falsa cortina de uma pretensa autoridade sendo colocada entre suas ações e uma crítica legítima. Aqueles que menos gozaram de sua verdadeira confiança e, portanto, menos conheceram de seu caráter privado, eram os maiores transgressores a esse respeito. Era mais do que evidente que, a menos que contasse o que tão somente eu conhecia, a verdadeira história de nosso movimento nunca poderia ser escrita, nem os verdadeiros méritos de minha maravilhosa colega poderiam ser conhecidos. (...) Comentários confidencias têm circulado contra mim, e os exemplares atuais do The Theosophist têm sido retirados das mesas das salas de leitura das Lojas. Isso é algo infantil: a verdade nunca prejudicou uma boa causa, nem a covardia moral jamais ajudou a uma causa ruim.” (ODL I, viii) 

O aspecto esfinge da vida de Madame Blavatsky, então, não se restringe às facetas polêmicas de sua personalidade. Ele também abarca os acontecimentos e os personagens que compuseram o cenário de sua vida. E é esse conjunto complexo, composto de uma personalidade e de acontecimentos polêmicos, somados aos notáveis personagens que a cercaram, que se converte em um verdadeiro “decifra-me ou te devoro”, análogo ao que deverá ser enfrentado, cedo ou tarde, por todos aqueles que procuram trilhar um caminho de elevação espiritual, como aquele que foi trilhado por Helena Blavatsky.
            De fato, muitos acontecimentos aqui descritos nos lembram das passagens bíblicas onde está escrito que a sabedoria do mundo é loucura para Deus e que a sabedoria de Deus é loucura para o mundo: 

“Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus. Pois está escrito:

        Destruirei a sabedoria dos sábios

        e rejeitarei a inteligência dos inteligentes.

        Onde está o sábio? Onde está o homem culto?

(...) Deus não tornou louca a sabedoria deste século?” (1 Cor 1:18-20)

“Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens” (1 Cor 1:25)

“Mas o que é loucura no mundo, Deus escolheu para confundir os sábios”. (1 Cor 1:27) 

            Loucura ou sabedoria, esse emaranhado controverso, de um lado, revela a existência de Grandes Seres, bem como a existência de um caminho que conduz até Eles. Porém, de outro, provoca dúvidas, suspeitas e perplexidades, as quais sempre fazem parte do caminho daqueles que procuram descobrir a verdade a respeito desses Augustos Seres. Essas perplexidades, e os sofrimentos que lhes são decorrentes, devem estar contidos nas razões pelas quais esse caminho é chamado de “PROVAÇÃO”. A passagem que segue descreve algo desse fascinante caminho: 

Existe uma estrada, íngreme e espinhosa, cheia de perigos de todo tipo, mas que ainda assim é uma estrada, e ela conduz ao próprio coração do Universo: posso lhes dizer como encontrar aqueles que lhes mostrarão o portão secreto que se abre apenas para dentro, e que se fecha para sempre assim que o iniciante passa. Não há perigo que uma intrépida coragem não possa conquistar; não há provação que uma pureza imaculada não possa vencer; não há dificuldade que um intelecto forte não possa superar. Para os que vencem, a recompensa é indescritível – o poder de abençoar e salvar a humanidade; para os que fracassam, há outras vidas nas quais o sucesso pode ser alcançado.” (CW XIII, 219) 

Que A Esfinge Helena Blavatsky possa ser de auxílio para uma melhor compreensão desse caminho. 

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